O incêndio de Arganil começou a 15 de outubro de 2017, por volta das 12h30, em Esculca (Arganil). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de relatórios publicados; o local, do ICNF. Segundo a Comissão Técnica Independente nomeada pela Assembleia da República, o incêndio de Esculca-Côja-Arganil causou 17 mortos (relatório, p. 151). A Comissão descreve duas ignições deste incêndio, uma junto a Relva Velha, perto da mata da Margaraça, e outra mais a oeste, perto de Monte Redondo, e inclui-o, com os incêndios de Sandomil e de Vide, no complexo de Arganil-Seia (p. 82). O ICNF regista esses dois como incêndios à parte, que esta análise não inclui; segundo a Comissão, o de Sandomil causou 1 morto e o de Vide 4 (p. 151). No de Vide, a Comissão descreve a evacuação de 12 aldeias, e o comandante regista que consideram ter salvado 218 pessoas, levadas para o quartel (p. 190).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 7 passagens e registaram 396 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 13h57. Na reconstrução, às 13h57 já tinham ardido cerca de 423 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite usada foi a 16 de outubro, antes da hora a que a Comissão Técnica Independente dá o incêndio como dominado, às 03h32 de 17 de outubro (relatório, p. 186).
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 46 762 ha na grelha da análise. O ICNF registou 37 959 ha; o perímetro que publica é maior do que essa área. As imagens Sentinel-2 de 12 de outubro e de 27 de outubro de 2017 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Esses perímetros não cobrem cerca de 20 015 ha da área ardida desta análise (cálculo nosso): aí a hora reconstruída não tem com que ser comparada. Os perímetros do PT-FireSprd deste incêndio incluem também partes do incêndio de Sandomil a partir das 21h00 de 15 de outubro e do de Vide a partir das 00h00 de 16 de outubro (cálculo nosso): a essas horas, a coincidência com a nossa reconstrução compara com mais do que este incêndio. Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 1,88 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 98 % da área comparada. Este incêndio fez parte do teste do método, por isso esta comparação não é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2018).