O incêndio de Castro Marim começou a 16 de agosto de 2021, por volta das 01h00, em Pernadeiro (Castro Marim). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de informação dos operacionais no terreno e de dados do serviço florestal; o local, do ICNF. O perímetro que o ICNF publica para este incêndio fica sobretudo nos concelhos de Tavira e de Vila Real de Santo António, e também em Castro Marim, onde começou.
Os satélites VIIRS (Suomi NPP e NOAA-20) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 15 passagens e registaram 298 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 02h16. Na reconstrução, às 02h16 já tinham ardido cerca de 37 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 17 de agosto.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 6607 ha na grelha da análise. O ICNF registou 6629 ha. As imagens Sentinel-2 de 12 de agosto e de 19 de agosto de 2021 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Esses perímetros não cobrem cerca de 749 ha da área ardida desta análise (cálculo nosso): aí a hora reconstruída não tem com que ser comparada. Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 2,40 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 89 % da área comparada. Este incêndio fez parte do teste do método, por isso esta comparação não é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. Uma ficha de projeto da Câmara Municipal de Castro Marim cita um relatório de estabilização de emergência pós-incêndio do ICNF sobre o incêndio de Castro Marim de 2021; não o encontrámos publicado, e esta análise não o usa.