O incêndio de Góis começou a 17 de junho de 2017, por volta das 15h00, em Fonte Limpa (Góis). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de relatórios publicados; o local, do ICNF. Ardeu nos mesmos dias do incêndio de Pedrógão Grande, e a Comissão Técnica Independente nomeada pela Assembleia da República analisou os dois no mesmo relatório. Segundo a Comissão, o incêndio de Pedrógão Grande causou 64 mortos, incluindo um bombeiro (relatório, p. 20); as mortes ocorreram nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (p. 110).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 27 passagens e registaram 893 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 03h05 de 18 de junho. Na reconstrução, às 03h05 já tinham ardido cerca de 3051 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 22 de junho.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 17 451 ha na grelha da análise. O ICNF registou 17 521 ha. As imagens Sentinel-2 de 14 de junho e de 4 de julho de 2017 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 7,09 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 66 % da área comparada. Este incêndio fez parte do teste do método, por isso esta comparação não é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2017).