O incêndio da Lousã começou a 15 de outubro de 2017, por volta das 08h30, em Prilhão (Lousã). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de relatórios publicados e de conhecimento pericial; o local, do ICNF. Segundo a Comissão Técnica Independente nomeada pela Assembleia da República, o incêndio de Prilhão-Vilarinho-Lousã causou 14 mortos (relatório, p. 151). Entre as evacuações que a Comissão descreve está a de cerca de 300 pessoas que viajavam num comboio, em Santa Comba Dão (p. 185). Dos sete megaincêndios desse dia, foi o único que, segundo a Comissão, não resultou de um complexo de duas ou mais ignições (p. 110).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 10 passagens e registaram 1266 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 13h57; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 12h19. Na reconstrução, às 13h57 já tinham ardido cerca de 355 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite usada foi a 16 de outubro, antes do fim do incêndio no registo do ICNF (17 de outubro, às 02h31).
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 66 479 ha na grelha da análise. O ICNF registou 53 619 ha; o perímetro que publica é maior do que essa área. As imagens Sentinel-2 de 12 de outubro e de 27 de outubro de 2017 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Esses perímetros não cobrem cerca de 21 817 ha da área ardida desta análise (cálculo nosso): aí a hora reconstruída não tem com que ser comparada. Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 3,29 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 84 % da área comparada. Este incêndio fez parte do teste do método, por isso esta comparação não é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2018).