O incêndio de Murça começou a 17 de julho de 2022, por volta das 16h35, em Cortinhas (Murça). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de dados aéreos e de conhecimento pericial; o local, do ICNF. O PT-FireSprd regista duas zonas de início a essa hora, perto uma da outra; o ponto de início desta análise fica entre elas.
Os satélites VIIRS (Suomi NPP e NOAA-20) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 29 passagens e registaram 530 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 02h15 de 18 de julho; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 22h23 de 17 de julho. Na reconstrução, às 02h15 já tinham ardido cerca de 517 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 21 de julho. O registo do ICNF termina às 12h40 de 21 de julho, mas as passagens de satélite seguintes ainda datam cerca de 56 ha, 1 % da área ardida desta análise, até 21 de julho (cálculo nosso).
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 7171 ha na grelha da análise. O ICNF registou 7186 ha. As imagens Sentinel-2 de 8 de julho e de 23 de julho de 2022 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 2,72 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 82 % da área comparada. Este incêndio não fez parte do teste do método, por isso esta comparação é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. O relatório final do Grupo de Peritos dos Incêndios Rurais, publicado pela AGIF, analisa, segundo a agência Lusa, os incêndios de Murça e Vila Pouca de Aguiar de 2022; esta análise não o usa.