O incêndio de Piódão já ardia a 13 de agosto de 2025, por volta das 05h08, em Piódão (Arganil). A hora é a do alerta, segundo um relatório publicado (relatório, p. 63); o ponto é aproximado (o lugar de Piódão, em Arganil, que o ICNF dá como local de início, situado com o OpenStreetMap). Segundo a Comissão Técnica Independente que avaliou os incêndios de agosto de 2025, este foi o maior incêndio de que há registo em Portugal continental (relatório, p. 24). O relatório regista também a morte de um bombeiro da Covilhã a 17 de agosto, num acidente de viação com um veículo de combate a incêndios; a sua missão era proteger habitações em S. Jorge da Beira, localidade ameaçada por este incêndio (p. 85).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP, NOAA-20 e NOAA-21) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 142 passagens e registaram 11 290 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 13h26; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 11h41. Na reconstrução, às 13h26 já tinham ardido cerca de 1375 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre a hora do alerta e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite usada foi a 24 de agosto.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 65 920 ha na grelha da análise. O ICNF registou 65 478 ha. As imagens Sentinel-2 de 6 de agosto e de 26 de agosto de 2025 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados do Copernicus EMS (EMSR831), desenhados a partir de imagens de satélite; estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 7,88 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 81 % da área comparada.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2026).