O incêndio de Sátão já ardia a 13 de agosto de 2025, por volta das 00h03, em Carrasqueira (Sátão). A hora é a do alerta, segundo um relatório publicado (relatório, p. 66); o ponto é aproximado (Ferreira de Aves, em Sátão, situado com o OpenStreetMap; o ICNF dá como local de início Carrasqueira, na mesma freguesia, que não encontrámos no OpenStreetMap). O perímetro que o ICNF publica para este incêndio fica sobretudo nos concelhos de Sernancelhe e de Aguiar da Beira, e também em Sátão, onde o ICNF situa o início, e em Moimenta da Beira.
Os satélites VIIRS (Suomi NPP, NOAA-20 e NOAA-21) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 48 passagens e registaram 1724 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 02h53. Na reconstrução, às 02h53 já tinham ardido cerca de 83 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre a hora do alerta e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite usada foi a 17 de agosto.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 13 853 ha na grelha da análise. O ICNF registou 13 753 ha. As imagens Sentinel-2 de 3 de agosto e de 23 de agosto de 2025 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados do Copernicus EMS (EMSR831), desenhados a partir de imagens de satélite; estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 0,00 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 100 % da área comparada. Só um perímetro de referência entra nesta comparação, o de 16 de agosto, às 12h21: por isso ela só verifica que a reconstrução não dá como ardido depois dessa hora o que esse perímetro já mostra ardido, e não se a hora reconstruída é cedo demais. Este incêndio não fez parte do teste do método, por isso esta comparação é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2026).