O incêndio da Serra da Estrela começou a 6 de agosto de 2022, por volta das 03h30, em Garrocho (Covilhã). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de dados do serviço florestal; o local, do ICNF. Segundo o relatório de estabilização de emergência pós-incêndio do ICNF, o incêndio do Garrocho foi a ocorrência mais relevante de um complexo de incêndios da Serra da Estrela que, no conjunto, percorreu 27 340 ha (relatório, p. 7). O relatório dá a este incêndio 24 460 ha, dos quais 20 368 ha (83 %) dentro do Parque Natural da Serra da Estrela (p. 19), e dá a ocorrência como extinta a 2 de setembro, ao fim de 28 dias (p. 4). Segundo o relatório, o concelho de Manteigas foi, em proporção, o mais afetado, com 50,5 % do seu território queimado (p. 8).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP e NOAA-20) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 70 passagens e registaram 2112 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 14h22; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 12h30. Na reconstrução, às 14h22 já tinham ardido cerca de 465 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. O incêndio teve uma segunda fase: depois de cerca de 56 horas sem deteções, os satélites voltaram a ver calor a 15 de agosto, às 23h29. Na reconstrução, cerca de 8435 ha são datados pelas passagens dessa fase (cálculo nosso). Os perímetros do PT-FireSprd só incluem a partir de 15 de agosto, às 17h30, cerca de 1160 ha que a reconstrução data antes dessas horas sem deteções (cálculo nosso); a maior parte é terreno onde nenhuma passagem de satélite viu calor, datado pela primeira passagem que viu calor no terreno mais próximo. A última deteção de calor por satélite usada foi a 18 de agosto.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 24 431 ha na grelha da análise. O ICNF registou 24 333 ha. As imagens Sentinel-2 de 2 de agosto e de 16 de setembro de 2022 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 7,65 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 68 % da área comparada. Este incêndio não fez parte do teste do método, por isso esta comparação é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. Sobre este complexo de incêndios há um relatório de estabilização de emergência do ICNF (2023).