O incêndio de Trancoso começou a 9 de agosto de 2025, por volta das 16h21, em Pramigo (Trancoso). A hora de início vem do registo do ICNF (SGIF); o ponto é aproximado (Freches, em Trancoso, situado com o OpenStreetMap; o ICNF dá como local de início Pramigo, na mesma freguesia, que não encontrámos no OpenStreetMap). Segundo a Comissão Técnica Independente que avaliou os incêndios de agosto de 2025, este incêndio, que o relatório designa por Pramigo, foi o primeiro de um complexo de três incêndios em Trancoso, iniciados a 9, 13 e 14 de agosto, que juntos queimaram mais de 56 mil ha (relatório, p. 59). Para a Comissão, tudo indica que o segundo foi uma nova ignição, na madrugada de 13 de agosto, um pouco a norte de Aldeia Nova (p. 59). O ICNF não tem uma área ardida à parte para ela, e esta análise reconstrói toda a área a partir de um só início.
Os satélites VIIRS (Suomi NPP, NOAA-20 e NOAA-21) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 77 passagens e registaram 5243 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 03h00 de 10 de agosto; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 21h45 de 9 de agosto. Na reconstrução, às 03h00 já tinham ardido cerca de 789 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 17 de agosto.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 47 388 ha na grelha da análise. O ICNF registou 46 917 ha. As imagens Sentinel-2 de 3 de agosto e de 26 de agosto de 2025 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados do Copernicus EMS (EMSR831), desenhados a partir de imagens de satélite; estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 2,77 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 92 % da área comparada. Este incêndio não fez parte do teste do método, por isso esta comparação é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2026).