O incêndio de A-do-Cavalo começou a 14 de agosto de 2025, por volta das 14h53, em A-do-Cavalo (Trancoso). A hora de início vem do registo do ICNF (SGIF); o ponto é aproximado (o lugar de A-do-Cavalo, em Trancoso, que o ICNF dá como local de início, situado com o OpenStreetMap). Segundo a Comissão Técnica Independente que avaliou os incêndios de agosto de 2025, este incêndio fez parte de um complexo de três incêndios em Trancoso, iniciados a 9, 13 e 14 de agosto, que juntos queimaram mais de 56 mil ha (relatório, p. 59). O perímetro que o ICNF publica para este incêndio fica quase todo no concelho da Mêda; em Trancoso, onde começou, fica pouco.
Os satélites VIIRS (Suomi NPP, NOAA-20 e NOAA-21) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 36 passagens e registaram 567 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 14h48, 5 minutos antes da hora de início (14h53): o fogo já ardia antes dessa hora. Na reconstrução, os cerca de 55 ha que essa passagem já mostra ardidos ficam todos com a hora dela: não se sabe quando começaram a arder. A última deteção de calor por satélite foi a 17 de agosto.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 8374 ha na grelha da análise. O ICNF registou 8298 ha. As imagens Sentinel-2 de 3 de agosto e de 21 de agosto de 2025 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados do Copernicus EMS (EMSR831), desenhados a partir de imagens de satélite; estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 1,27 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 91 % da área comparada. Este incêndio não fez parte do teste do método, por isso esta comparação é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2026).