O incêndio de Vila de Rei começou a 20 de julho de 2019, por volta das 14h30, em Fundada (Vila de Rei). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de relatórios publicados; o local, do ICNF. Segundo o Observatório Técnico Independente da Assembleia da República, este incêndio correspondeu, por si só, a cerca de 22 % da área ardida em Portugal em 2019 (relatório, p. 2). O relatório regista ainda um civil com queimaduras graves (p. 44) e, entre as ações de evacuação que descreve, a retirada de 7 residentes de quatro lugares de Mação (p. 43).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP e NOAA-20) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 21 passagens e registaram 646 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 15h31. Na reconstrução, às 15h31 já tinham ardido cerca de 571 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 23 de julho.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 9364 ha na grelha da análise. O ICNF registou 9249 ha. As imagens Sentinel-2 de 19 de julho e de 3 de agosto de 2019 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 4,88 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 69 % da área comparada. Este incêndio fez parte do teste do método, por isso esta comparação não é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório do Observatório Técnico Independente (Assembleia da República, 2020).