O incêndio de Vila Real começou a 2 de agosto de 2025, por volta das 23h45, em Sirarelhos (Vila Real). A hora de início vem do registo do ICNF (SGIF); o ponto é aproximado (o lugar de Sirarelhos, em Vila Real, que o ICNF dá como local de início, situado com o OpenStreetMap). Segundo a Comissão Técnica Independente que avaliou os incêndios de agosto de 2025, este incêndio esteve alguns dias sem se propagar e depois reativou (relatório, p. 57).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP, NOAA-20 e NOAA-21) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 90 passagens e registaram 1213 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 02h17 de 3 de agosto. Na reconstrução, às 02h17 já tinham ardido cerca de 143 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. O incêndio teve uma segunda fase: depois de cerca de 36 horas sem deteções, os satélites voltaram a ver calor a 10 de agosto, às 03h00. Na reconstrução, cerca de 2804 ha são datados pelas passagens dessa fase (cálculo nosso). A última deteção de calor por satélite foi a 13 de agosto. O registo do ICNF termina às 11h53 de 9 de agosto, antes da segunda fase.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 5952 ha na grelha da análise. O ICNF registou 5843 ha. As imagens Sentinel-2 de 1 de agosto e de 16 de agosto de 2025 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados do Copernicus EMS (EMSR824), desenhados a partir de imagens de satélite; estão na camada «Perímetros de referência». Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 2,02 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 93 % da área comparada. Os perímetros do Copernicus EMS são de 5 a 7 de agosto, antes da segunda fase deste incêndio: a comparação cobre cerca de 2840 ha, menos de metade da área datada desta análise, quase todos datados na primeira fase (cálculo nosso). Em quase toda essa área, o intervalo de referência começa no início do incêndio, por isso a comparação verifica sobretudo que a reconstrução não dá como ardido depois de cada perímetro o que ele já mostra ardido, e menos se a hora reconstruída é cedo demais. Este incêndio não fez parte do teste do método, por isso esta comparação é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2026).