O incêndio de Vouzela começou a 15 de outubro de 2017, por volta das 17h00, em Albitelhe (Vouzela). A hora e o ponto de início vêm do PT-FireSprd, que os tirou de relatórios publicados; o local, do ICNF. O PT-FireSprd regista duas zonas de início a essa hora, perto uma da outra; o ponto de início desta análise fica entre elas. Segundo a Comissão Técnica Independente nomeada pela Assembleia da República, o incêndio de Albitelhe-Campia-Vouzela causou 9 mortos (relatório, p. 151). À chegada ao ponto de início, segundo a Comissão, ficou a dúvida se o incêndio tinha começado no concelho de Águeda ou no de Vouzela, e havia dois focos de incêndio, um em Macieira de Alcoba e outro em Campia (p. 195); esta análise não os faz corresponder às zonas de início do PT-FireSprd. Entre as evacuações que a Comissão descreve está a de 12 localidades (p. 195). A Comissão descreve ainda este megaincêndio como a agregação do incêndio de Albitelhe-Vouzela com pelo menos uma outra ocorrência significativa, não identificável (p. 77).
Os satélites VIIRS (Suomi NPP) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 6 passagens e registaram 181 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 02h16 de 16 de outubro; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 23h24 de 15 de outubro. Na reconstrução, às 02h16 já tinham ardido cerca de 10 215 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 16 de outubro.
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 21 020 ha na grelha da análise. O ICNF registou 15 745 ha; o perímetro que publica é maior do que essa área. As imagens Sentinel-2 de 12 de outubro e de 27 de outubro de 2017 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Comparamos a propagação reconstruída com os perímetros datados publicados no PT-FireSprd (Benali et al. 2023); estão na camada «Perímetros de referência». Esses perímetros não cobrem cerca de 13 612 ha da área ardida desta análise (cálculo nosso): aí a hora reconstruída não tem com que ser comparada. A maior parte dessa área fica nos perímetros datados de um segundo incêndio que o PT-FireSprd regista à parte, dentro do mesmo perímetro do ICNF, com início às 19h00 de 15 de outubro; esta análise data essa parte a partir do início deste incêndio. Neste incêndio, a hora reconstruída ficou, em média, a 2,07 horas do intervalo de referência, e a menos de 6 horas em 94 % da área comparada. Este incêndio fez parte do teste do método, por isso esta comparação não é uma verificação independente.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2018).