O incêndio de Vale de Cambra começou a 15 de outubro de 2017, por volta das 07h15, em Furna (Vale de Cambra). A hora de início vem do registo do ICNF (SGIF); o ponto é aproximado (o lugar de Furna, em Vale de Cambra, situado com o OpenStreetMap; o ICNF dá como local de início Furna, Perrinho e Pintalhos). Segundo a Comissão Técnica Independente nomeada pela Assembleia da República, o incêndio de Macieira de Cambra-Vale de Cambra chegou a estar dominado menos de uma hora depois do início, mas teve nessa manhã uma forte reativação que não foi possível controlar e alastrou aos concelhos de Arouca e de Castelo de Paiva; só foi dominado dois dias depois, de madrugada, com as primeiras chuvas (relatório, p. 180). O perímetro que o ICNF publica para este incêndio fica quase todo em Castelo de Paiva e em Arouca; em Vale de Cambra, onde começou, fica pouco.
Os satélites VIIRS (Suomi NPP) e MODIS (Terra e Aqua) viram calor deste incêndio em 8 passagens e registaram 67 deteções. Os píxeis de 1 km do MODIS só servem para a hora. A primeira passagem VIIRS (píxeis de 375 m) a ver o fogo foi às 13h58; o MODIS (píxeis de 1 km) já tinha visto calor às 12h19. Na reconstrução, às 13h58 já tinham ardido cerca de 186 ha: a hora de cada sítio antes dessa passagem é interpolada entre o início e ela, não observada. A última deteção de calor por satélite foi a 16 de outubro. O registo do ICNF termina às 08h33 de 15 de outubro, mas as passagens de satélite seguintes ainda datam cerca de 7637 ha, 100 % da área ardida desta análise, até 16 de outubro (cálculo nosso).
A área ardida desta análise é o perímetro publicado pelo ICNF para este incêndio, nas partes junto às deteções VIIRS: cerca de 7637 ha na grelha da análise. O ICNF registou 8974 ha. As imagens Sentinel-2 de 12 de outubro e de 25 de outubro de 2017 dão a severidade da queima dentro desse perímetro.
Não há perímetros datados publicados deste incêndio para comparar com a propagação reconstruída.
Esta reconstrução é técnica, feita a partir de dados de satélite. As conclusões oficiais sobre o que aconteceu estão no relatório da Comissão Técnica Independente (Assembleia da República, 2018).